outubro 04, 2012

Sparks Fly, capítulo 13 - Pesadelo.


– Bom dia. – Disse assim que abri a porta e encontrei Pattie com uma cara nada boa. – Aconteceu alguma coisa? – Perguntei e ela apenas assentiu enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas, Pattie deu alguns passos para ficar mais próxima de mim e entendi que ela estava precisando de um abraço, afaguei seus cabelos e percebi que a situação era séria quando seu choro ficou mais intenso. – Pattie, pelo amor de Deus, me diga o que aconteceu. – Pedi e ela passou a mão em seu rosto para poder livrá-lo das lágrimas.
– Acabaram de me ligar do hospital público da cidade... – Suspirou e seu rosto se contorceu de dor. – Justin teve uma overdose.
Capítulo 13 – Pesadelo.
Step out the door and it feels like rain. That's the sound, that's the sound on your window pane. Take to the streets, but you can't ignore, that's the sound, that's the sound you're waiting for […] Lost 'till you found, swim 'till you drown. Know that we all fall down. Love 'till you hate, strong 'till you break. Know that we all fall down. (All Fall Down – One Republic)
As lágrimas caiam sem pudor algum de meus olhos e tudo o que eu queria era poder voltar à época em que ainda éramos crianças. Sem preocupações, sem medos. Era somente isso que eu queria.
Meus dedos batiam descontroladamente sobre o volante e quanto mais tentava apagar aquelas cenas de minha mente mais elas me atormentavam. Acreditei. Mais uma vez acreditei em suas promessas, e mais uma vez ele conseguiu me enganar com suas palavras vazias que foram simplesmente ditas sem sentimento algum.
Acelerei e senti no mesmo momento meu coração palpitar, minha respiração acelerar e minhas mãos formigarem. Talvez fosse melhor assim. Todos ficariam felizes, afinal de contas.
Meu celular, que até agora estava jogado no banco do passageiro começou a tocar – nossa música favorita por sinal –. Um sorriso irônico abriu caminho em meio às lágrimas que eram derramadas e com as mãos ainda tremulas consegui recusar sua ligação. Não suportaria escutar sua voz outra vez, ainda mais quando sabia que tudo o que saia de sua boca era mentira.
Tentei inutilmente limpar meu rosto com a manga do moletom que estava usando e afundei meu pé ainda mais no acelerador.
A chuva atrapalhava ainda mais minha visão e consequentemente deixava a rua mais lisa e perigosa do que já era; ainda mais para uma garota de dezessete anos que nem havia tirado carteira de motorista.
Podiam me chamar de louca ou de qualquer outro adjetivo que quisessem, mas só queria acabar com aquele sofrimento logo de uma vez, afinal de contas todos nós iremos morrer algum dia. Só estaria adiantando o inevitável.
Meu coração batia em meus ouvidos e a cada sinal vermelho, a cada quadra que era deixada para trás mais adrenalina eu sentia, mais vontade de morrer eu sentia.
Sabia que meu objetivo tinha sido alcançado quando uma buzina extremamente alta e irritante soou pela rua que teria que cruzar. Em seguida a luz forte dos faróis do caminhão fizeram com que eu fechasse meus olhos esperando somente pelo impacto que meu corpo faria contra o painel do carro e pela dor que sentiria pelos próximos segundos.
– Senhorita... Senhorita! – Uma voz desconhecida soou e abri meus olhos rapidamente assustada. – Não se sente bem? – A moça, que era ruiva e extremamente bonita perguntou e apenas neguei com a cabeça enquanto passava a mão pela minha testa que estava completamente molhada de suor.
Olhei atentamente para o local em que estava e suspirei aliviada, tinha sido só um pesadelo.
Pattie estava parada ao lado da mulher ruiva e só assim percebi que essa era a médica que estava atendendo Justin. Depois de mais de cinco horas finalmente teríamos notícias.
– Se sente bem mesmo? Você estava dormindo e se debatia a todo o momento, não acha melhor ir par casa descansar um pouco? Não queremos mais uma pessoa doente. – Pattie disse preocupada depois de sentar-se ao meu lado e me entregar um copo com água.
– Só tive um pesadelo, está tudo bem. – Respondi e Pattie trocou um breve olhar com a médica que estava em nossa frente.
– Bem, o quadro de Justin é instável no momento, como a senhora foi informada ele teve uma overdose enquanto estava sendo encaminhado ao hospital. Tomamos as medidas prévias, mas é bom mantê-lo internado até que seu organismo volte a funcionar de forma correta, como eu disse, ele não está completamente bom e pode ter uma complicação a qualquer momento. – Pattie assentiu e a médica olhou para mim. – Ele quer muito ver a senhorita, mas é melhor que se alimente antes. – Concordei e ela sorriu amigavelmente. – Estarei em minha sala, caso não tenha alguma emergência com outro paciente e se precisarem de alguma coisa podem ir me procurar.
Pattie agradeceu e resolvi seguir os conselhos que a médica me dera, afinal de contas estava desde manhã cedo sem comer e nesse tempo Pattie podia conversar em particular com o filho.
Andei a passos largos até o banheiro mais próximo e joguei um pouco de água em meu rosto e minha nuca para poder tirar aquela sensação angustiante que estava sentindo, não conseguia mais me lembrar do pesadelo que havia tido e talvez fosse melhor assim
Meu rosto estava pálido demais e minha roupa – que fora a primeira coisa que achei em meu closet para colocar – estava completamente amassada.
Comprei apenas um café na própria lanchonete do hospital e pode parecer meio contraditório, mas não queria que o tempo passasse rápido. Sim, queria muito ver Justin, mas ao mesmo tempo estava com medo, medo do que eu provavelmente diria.
Pela pequena fresta que a cortina deixava na parede de vidro do quarto, era possível ver Pattie chorando desolada tentando conversar com o filho que apenas concordava com o que ela dizia.
Meu coração tremeu com aquela imagem e um nó se formou em minha garganta, não queria chorar, mas era uma coisa meio impossível na situação em que nos encontrávamos.
A batalha interna que estava ocorrendo em minha cabeça me deixava ainda mais atordoada e sabia que explodiria a qualquer momento.
– Tente conversar com ele. – Pattie suspirou enquanto limpava os olhos com as mangas da blusa e concordei lhe dando um abraço apertado.
Sabia que me arrependeria pelo resto de minha vida pelo que estava preste a fazer, mas sabia também, que aquela era a decisão certa a ser tomada.

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